Se precisar, serei candidato em 2018, diz Lula em festa do PT

LULA EM FESTA DE 36 ANOS DO PT (FOTO: RICARDO STUCKERT/ INSTITUTO LULA)
LULA EM FESTA DE 36 ANOS DO PT (FOTO: RICARDO STUCKERT/ INSTITUTO LULA)

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse no sábado (27/02) no Rio de Janeiro que, se o PT entender que é necessário, ele será candidato à Presidência em 2018. A afirmação foi feita durante festa de comemoração dos 36 anos do partido, na cidade do Rio. Em um discurso de quase 40 minutos, Lula criticou a oposição e a imprensa que, segundo ele, estão tentando atingi-lo “com mentiras, com vazamento de informações e a criminalização” por meio de notícias, sem que haja qualquer julgamento.

O ex-presidente negou que seja o dono do triplex no Guarujá e do sítio em Atibaia – imóveis investigados pela Justiça e que tiveram destaque na imprensa nos últimos dias. Segundo ele, o sítio, por exemplo, foi comprado por seu amigo Jacó Bittar. O acordo era que a família de Lula também usufruísse da propriedade quando ele deixasse a Presidência.

“Eles pensam que, com essa perseguição, vão me tirar da luta. Eles não conhecem o PT. Se quiserem me derrotar, não vão me derrotar mentindo. Terão que me enfrentar nas ruas, conversando com o povo brasileiro”, disse Lula. “Se eles quiserem voltar ao poder, vão ter que aprender a ser democráticos, disputar eleições e acatar o resultado. Se eles quiserem, se preparem para 2018. Afiem suas garras e vamos disputar democraticamente”, acrescentou.

Ele destacou que essa situação serve para fortalecer partido. “Eles estão determinados: ‘Vamos destruir o PT’. E eu queria dizer para eles: Vocês não vão nos destruir. Nós sairemos mais fortes dessa luta.”

Em seu discurso, Lula também disse que, apesar das divergências entre o PT e o governo da presidente da República, Dilma Rousseff, o partido está ao lado dela. Lula disse que está à frente de um exército de milhares de soldados para defender o mandato de Dilma.

“Por mais que tenha discordância em alguma coisa, a Dilma tem que ter certeza de que o lado dela é esse. Ela precisa de nós para poder sobreviver aos ataques que ela vem sofrendo no Congresso Nacional pelos nossos adversários”, disse Lula.

Clima da festa

A festa para comemorar os 36 anos do PT foi marcada por um desagravo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva até mesmo nas paredes de tijolo aparente do Armazém da Utopia, forradas de homenagens a ele. Mas a presidente Dilma Rousseff não foi poupada. “Dilma, chega de ajuste fiscal e superávit!”, dizia uma das faixas seguradas por militantes na plateia, escancarando a insatisfação com medidas tomadas pela presidente, que não compareceu à festa.

A cúpula do PT bem que tentou segurar as críticas a Dilma, mas não conseguiu. Lula, porém, só recebeu afagos, ao menos dentro do salão. Num ambiente à meia luz, sob holofotes vermelhos, uma das principais portas do Armazém da Utopia, na zona portuária do Rio, exibia uma faixa com a inscrição “Companheiro Lula, a militância petista está com você”.

Quando chegou para a comemoração, porém, Lula encontrou um ato esvaziado. No espaço com capacidade para 4 mil pessoas, havia menos de 1,5 mil. Dirigentes do partido previam 3 mil, presentes. Houve, porém, gritos entusiasmados de “Dirceu/guerreiro/do povo brasileiro” – uma alusão ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado pelo mensalão e preso novamente na Operação Lava Jato. A carta da presidente Dilma Rousseff foi saudada pela palavra de ordem “Não vai ter golpe”, seguida por gritos pouco entusiasmados de “Olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma.”

Do lado de fora, barracas tentavam reviver o clima do PT dos anos 80, quando filiados vendiam camisetas para arrecadar recursos e contribuir com as campanhas. “Lula, siga em frente, o povo está do seu lado”, dizia um dos modelos de camisetas vendidas por R$ 18, no espírito de desagravo que tomou conta do partido desde que Lula passou a ser alvo de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público. Havia também opções com a estrela do PT, a imagem de Che Guevara e até um “Xô, golpistas”, manifestando a rejeição ao impeachment de Dilma.

Dilma mandou carta

Dilma Rousseff defendeu Lula e o PT. Em carta destinada aos militantes, para ser lida na festa de 36 anos do partido, no Rio de Janeiro, ela parabenizou a legenda e destacou ter orgulho de empunhar a bandeira vermelha com a estrela branca. O texto foi lido pelo presidente do PT, Rui Falcão.

Dilma disse que o partido enfrenta “tempos difíceis”. “Há um ataque sistemático aos pilares de nosso projeto de desenvolvimento para o Brasil. Ataque ao nosso maior militante, o presidente de honra Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente Lula é um patrimônio político do nosso país que vem sendo atacado de forma injusta.”

A presidente afirmou que será solidária a Lula e estará ao seu lado “em todas as batalhas”. Segundo ela, o PT está sendo criminalizado, com base em uma “moralidade seletiva”, por pessoas que estão fazendo “uma luta política com base em factoides, mentiras, insinuações e fofocas”. “Querem, por todos os meios, interditar as ações e iniciativas do meu governo. Não me farão recuar.”

Época