Petrobras anuncia corte de pelo menos 30% de funções gerenciais

Jornal do Brasil – O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, em reunião realizada nesta quarta-feira (27), uma nova estrutura organizacional e um novo modelo de gestão e governança da companhia, que deve garantir maior celeridade e controle à estatal. As mudanças devem significar uma redução de custos de até R$ 1,8 bilhão por ano. Em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (28), a companhia destacou o corte de pelo menos 30% do número de funções gerenciais em áreas não operacionais, entre outras mudanças.

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A reestruturação envolve a redistribuição de atividades, a fusão de áreas e a revisão do modelo decisório. Um dos objetivos centrais é ampliar mecanismos de controle e conformidade e elevar a performance do gerenciamento dos projetos, com menores custos e cumprimento dos prazos.

“É um passo muito importante para a companhia, não só para o presente, mas notadamente para o futuro da companhia”, disse o presidente da estatal, Aldemir Bendine, à imprensa. “Chegamos a um modelo que eu julgo que é algo revolucionário para a empresa”.

Bendine ressalta que estatal conseguiu se adaptar a situação negativa com barril de Brent a US$ 30
Bendine ressalta que estatal conseguiu se adaptar a situação negativa com barril de Brent a US$ 30

A companhia possui cerca de 7,5 mil funções gerenciais aprovadas, das quais 5,3 mil estão em áreas não operacionais. De acordo com o presidente da companhia, Aldemir Bendine, as mudanças já passaram a valer com a aprovação do Conselho na véspera, e o segundo passo agora é a designação de executivos que vão tocar o novo projeto. Bendine informou ainda que a ideia é que em 30 dias a primeira fase da mudança esteja estabelecida.

Os efeitos da nova estrutura, disse Bendine, devem ser bem pequenos no primeiro trimestre deste ano, mas devem se aplicar “gradualmente”.

“O resultado operacional da companhia teve um grande avanço no ano de 2015, a companhia está respondendo muito bem a tudo aquilo que ela imaginou”, garantiu o presidente da estatal, chamando a atenção para o fato de que a Petrobras soube se adaptar à queda brusca nos preços do barril de Brent, que chegou a US$ 30 enquanto em 2014 era cotada em torno dos US$ 100, em um momento de crise global no setor.

“O barril de Brent a US$ 30 preocupa? Lógico. Mas a companhia não se baliza a Brent a US$ 30, ela tem que olhar para o planejamento de longo prazo e saber ter eficiência nos projetos”, ressaltou Bendine. “O que a gente busca, acima de tudo, é, primeiro, a preservação da competência técnica da Petrobras, que é inegável.”

A reformulação é parte da resposta da empresa à nova realidade do setor de óleo e gás, que tem levado a Petrobras a priorizar atividades mais rentáveis, em busca de maior competitividade. Ela entra em sintonia com o estabelecido pelo Plano de Negócios 2015-2019, cujas metas fundamentais são a  geração de valor e a desalavancagem, e ainda ampliar o esforço para fortalecer mecanismos de controle, conformidade e transparência.

Fases das mudanças na estrutura

A Petrobras declarou que a primeira fase da reestruturação vai gerar a redução de 14 funções na alta administração. O número de diretorias vai cair de sete para seis com a junção das diretorias de Abastecimento e Gás e Energia. Já o total de funções gerenciais ligadas diretamente ao Conselho de Administração, ao presidente e aos diretores será reduzido de 54 para 41.

A segunda fase, prevista para fevereiro, vai abranger as demais funções do corpo gerencial. As nomeações e a alocação de equipes vão ocorrer a partir de março.

Responsabilização e conformidade

A estatal vai criar seis Comitês Técnicos Estatutários, compostos por gerentes executivos que terão a função de analisar previamente e emitir recomendações sobre os temas a serem deliberados pelos diretores, que serão corresponsáveis nos processos decisórios. Os atos desses comitês estarão sujeitos à fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Para a designação de gerentes executivos, haverá novos critérios de análise de integridade e de capacitação técnica e de gestão. Além disso, caberá ao Conselho de Administração aprovar as nomeações e desligamento para estas funções.

Ao reforçar o compromisso com a conformidade às regras, a reestruturação prevê mudanças nos controles internos de contratações e investimentos. As atividades de contratação de bens e serviços serão concentradas na nova Diretoria de Recursos Humanos, SMS e Serviços.

A execução dos projetos de investimento será centralizada na nova Diretoria de Desenvolvimento da Produção & Tecnologia (DP&T). Essa nova estrutura concentrará a gestão e as competências técnicas de implantação de empreendimentos.

As contratações para projetos de investimentos envolverão, como regra, três diretorias: a diretoria demandante, que concebe o projeto técnico básico; a DP&T, que desenvolve o projeto; e a Diretoria de RH, SMS e Serviços, que licita e contrata bens e serviços. O redesenho do processo de contratação de projetos e serviços evita a concentração excessiva no processo decisório.

Para aumentar a rentabilidade dos negócios, o novo modelo promove a fusão de áreas para melhor aproveitamento das sinergias entre elas. Desta forma, Abastecimento e Gás & Energia passarão a compor a Diretoria de Refino e Gás Natural.

A Diretoria de Exploração e Produção será organizada por classes de ativos, com a criação de estruturas para Águas Profundas, Águas Ultraprofundas, Terrestre e Águas Rasas, para melhor gestão do valor agregado pelos ativos e otimização da produção de óleo e gás.

As mudanças que resultam em alterações no Estatuto Social da Petrobras serão submetidas à aprovação da Assembleia Geral de Acionistas que ainda será convocada. Há 40 grupos de trabalho detalhando e debatendo o novo modelo que será submetido ao Conselho.