Idosos estão entre potiguares que não conseguem voltar do Perú após fechamento das fronteiras: ‘medicamentos acabando’

Parte do grupo de potiguares que está em Cusco, no Perú, aguardando resgate — Foto: Cedida

Pelo menos quatro idosos estão entre os 14 potiguares que ficaram “presos” na cidade de Cusco, no Perú, e não conseguem voltar ao Rio Grande do Norte desde que houve o fechamento da fronteira do país por causa do novo coronavírus – o Covid-19. Dona Maria Salete Fernandes, de 68 anos, afirma que tem problemas cardiológicos e que alguns remédios já estão em falta. O grupo que está com ela está no país desde o dia 10 de março.

“O nosso consulado (brasileiro) aqui em Cusco não abriu as portas nenhuma vez. Nos encaminha para o de Lima, que nos manda aguardar, aguardar e aguardar. Somos quatro idosos, um com mais de 80 anos, a maioria hipertenso, com depressão, e os medicamentos acabando. Quem vai se responsabilizar por isso, ou se pegarmos o coronavírus? As soluções que aparecem até para a gente pagar, não conseguimos, porque o governo peruano não deixa sair. Só com autorização do governo brasileiro”, relata.

Ainda de acordo com ela, o grupo está isolado dentro do hotel e, quando necessário, uma dupla sai para comprar água e outros produtos, como remédios. “Mas já está faltando”, relata. O grupo que viajou com ela é composto por 12 pessoas. A maioria, da mesma família.

De acordo com as três agências de viagens responsáveis pelos turistas potiguares, o consulado informou que há 400 brasileiros em Cusco. A Latam ainda conta com um voos Lima, capital do país, porém distante mais de mil quilômetros da cidade onde os potiguares estão. Para a empresária Aurilene Freire, a preocupação das agência é de que os turistas não passem o fim de semana na cidade, devido à saúde dos idosos.

“O governo havia prometido enviar um avião da FAB para buscar os brasileiros, mas depois não autorizou, mesmo sendo uma ajuda humanitária. Agora estamos solicitando ao consulado que consiga pelo menos uma permissão para eles irem de ônibus até Rio Branco, com uma escolta, porque a estrada é muito perigosa. Já conseguimos o ônibus. Só precisamos dessa autorização”, relatou.

De acordo com Salete, existe uma possibilidade de um avião da Latam ir até Cusco, mas ainda não há nada confirmado e a empresa ainda não entrou em contato com o grupo. “Para ir até Lima, são 22 horas de carro. Hoje saem quatro voos de lá, que vieram para buscar brasileiros, mas é inviável. Para ir de ônibus para Rio Branco, também são 16 horas”, ressalta.

O senador potiguar Styvenson Valentim afirmou que solicitou o resgate dos turistas potiguares ao Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Um ofício foi encaminhado nesta quinta-feira (19).

“A informação que tivemos é que entre os turistas potiguares há idosos e pessoas com doenças crônicas, presas no hotel sem qualquer assistência das autoridades brasileiras. Num momento como esse precisamos agir para combater a disseminação do vírus, mas também precisamos dar suporte para os brasileiros que estão fora poderem voltar para o país”, declarou o senador.

Fonte: https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte

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