Guedes diz que ‘perdeu muito dinheiro’ ao aceitar ir para o governo

Ministro da Economia afirmou que críticas devem se intensificar com a proximidade das eleições / Washington Costa/ASCOM/ME – 01/10/2021

Ministro da Economia, Paulo Guedes afirmou nesta sexta-feira, 8, que “perdeu muito dinheiro” ao aceitar entrar para o governo federal. O chefe da equipe econômica se manifestou publicamente após a revelação de que é sócio de uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal. “Perdi muito dinheiro vindo aqui exatamente para evitar esses problemas”, afirmou ao participar de um evento com investidores internacionais promovido pelo Itaú. Guedes disse que deixou o comando da empresa e que se desfez de todos os investimentos privados antes de assumir o ministério. “São empresas legais, declaradas, que não tiveram nenhum movimento de entrada ou saída de dinheiro. Desde que botei dinheiro lá, em 2014 e 2015, eu declarei legalmente”, disse. O ministro também rebateu as críticas de que poderia usar a sua posição privilegiada no comando da economia em benefício próprio já que a offshore está “em jurisdições que as minhas ações não têm influência” e é controlada por gestores independentes.

Na noite de domingo, 3, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) revelou que o Guedes possui uma empresa registrada em um paraíso fiscal, enquanto o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, era sócio de outro empreendimento fora do país até agosto de 2020. A legislação brasileira permite a abertura de offshores, como são chamadas empresas hospedadas em países ou territórios com taxação baixa, ou isenção de impostos, desde que os dados sejam repassados à Receita Federal. O Código de Conduta da Alta Administração Federal, no entanto, proíbe que servidores de alto escalão mantenham investimentos, dentro ou fora do país, que possam ser afetados “por decisão ou política governamental a respeito da qual a autoridade pública tenha informações privilegiadas, em razão do cargo”. Guedes afirmou que as críticas fazem parte do “barulho” político e devem aumentar conforme a proximidade do ano eleitoral.

Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 6, o requerimento de convocação do ministro para prestar depoimento no plenário. O pedido de esclarecimento foi chancelado por 310 parlamentares, enquanto 142 se posicionaram contrários. Por ser uma convocação, Guedes é obrigado a comparecer. Ainda não foi agendada a data para o depoimento. O ministro já havia sido chamado para prestar explicações às comissões de Trabalho, Administração e Serviço Público, e de Fiscalização Financeira e Controle. Nesta terça-feira, 5, o chefe da equipe econômica e o presidente do Banco CentralRoberto Campos Neto, também foram convocados pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para explicarem “as razões e circunstâncias” de possuírem empresas em paraísos fiscais após assumirem cargos públicos.

Jovem Pan

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