Governadora do RN nomeia para Sejuc secretário exonerado após fugas e massacre de presos no Amazonas

Pedro Florêncio, quando titular da Seap do Amazonas (Arquivo) — Foto: Suelen Gonçalves/G1AM

A governadora Fátima Bezerra (PT) nomeou o novo titular da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), responsável pela administração penitenciária do estado, nesta sexta-feira (22). Trata-se de Pedro Florêncio Filho, que foi secretário do mesmo setor no Estado do Amazonas.

Florêncio assumiu a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) em setembro de 2015, tendo ficado no cargo até janeiro de 2017, quando estourou uma crise com 225 fugas, rebeliões e um massacre que resultou em 64 detentos mortos no estado. Os fatos aconteceram dias antes do Massacre de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte.

Nomeada no início do ano como titular da Sejuc, a promotora aposentada Arméli Maques Brannand foi nomeada Secretária de Estado do Esporte e do Lazer.

Amazonas

Após a rebelião, o Jornal Nacional teve acesso a um documento que comprovava que o secretário havia sido informado dos risco depois de ter permitido que 1,2 mil presos recebessem ao menos um acompanhante no Natal e no Ano Novo, de 2016 para 2017.

No dia 27 de dezembro, quatro dias antes da rebelião, a empresa administradora do presídio ainda pediu providências imediatas porque, no dia 24, com autorização da secretaria do governo, os horários de visitas não foram respeitados, o que prejudicou a revista de celas e a contagem de presos.

No dia 30, a empresa mandou um novo ofício para o secretário pedindo novamente providências porque os presos tinham retirado do telhado sete barras de ferros de seis metros de comprimento cada uma. Material semelhante tinha sido usado em uma tentativa de fuga recente. A empresa pedia uma revista com escolta armada para recuperar as barras de ferro. O objetivo era desmobilizar os presos que poderiam fugir. Mas a rebelião aconteceu dois dias depois.

Na época, o secretário Pedro Florêncio Filho admitiu ao Jornal Nacional que autorizou as visitas de fim de ano aos presos do Compaj, permitindo a pernoite das famílias, mas disse que não sabia do ofício da administradora sobre os possíveis riscos porque estava fora da cidade quando o documento foi enviado.

Fonte: https://g1.globo.com