Desleixo’, diz secretário de Justiça do RN após fuga de 32 presos em Caicó

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G1 – “Em Caicó a um nítido desleixo, tanto por parte dos agentes penitenciarios quanto por parte da Polícia Militar. E não é motivo de comemoração. Foi um desleixo que custou a credibilidade da Sejuc e da PM na região”. Foi desta forma que o secretário de Justiça e da Cidadania (Sejuc), Wallber Virgolino, analisou a fuga de 32 detentos da Penitenciária Estadual Desembargador Francisco Pereira da Nóbrega, o Pereirão, que fica na cidade de Caicó, na região Seridó potiguar. Os presos escaparam por um túnel na madrugada desta segunda-feira (22). Até o momento, apenas seis foram recapturados.

Em entrevista à Inter TV Cabugi (veja vídeo acima), o secretário afirmou que uma investigação será feita para apurar as condições em que ocorreram a fuga em Caicó. “É inadmissível que 32 pessoas fujam, que os agentes de dentro não escutem e que os guariteiros não percebam. A gente não está falando de um e nem de dois presos não, a gente tá falando de 32. Então isso merece uma responsabilização, merece uma apuração. Não tô aqui dizendo que ninguém tem culpa, não estou atribuindo responsabilidade a ninguém, mas vai ser apurado”, disse.

Em nota, o Sindicato dos Agentes Penitenciários do RN (Sindasp/RN) repudiou a afirmação do secretário. A nota diz que Walber Virgolino deveria “procurar conhecer melhor as estruturas das unidades prisionais do RN, bem como a quantidade de efetivo, as escalas e as condições de trabalho dos agentes penitenciários e dos policiais militares que atuam em presídios”.

“Muito antes de o secretário vir da Paraíba para o Rio Grande do Norte eram esses agentes que estavam sustentando o Sistema Penitenciário nas costas. Inclusive, basta ver as constantes ações que são realizadas para apreender objetos ilícitos nas unidades, bem como para encontrar túneis e evitar fugas. É muito fácil para ele acusar os agentes de ‘desleixo’ o difícil é ele oferecer condições dignas de trabalho e o mínimo de segurança nas cadeias do Estado. O que o Sistema Penitenciário do RN precisa é de mais ações e investimentos e menos conversa”, declarou Vilma Batista, presidente do Sindasp.

Esta foi a segunda fuga da história do Pereirão. A primeira aconteceu no dia 14 de julho deste ano, quando presos escaparam por um túnel aberto a partir do pavilhão B, entre as guaritas 6 e 7.

Chama atenção o fato de o presídio ser construído sobre um terreno rochoso, que naturalmente deveria dificultar escavações. Contudo, em maio deste ano, um túnel de aproximadamente 30 metros já havia sido descoberto durante uma revista realizada na penitenciária. Segundo o secretário Wallber Virgolino, titular da Secretaria de Justiça e da Cidadania, a escavação foi tapada, mas não concretada como deveria.

Pelado
Também na segunda, um preso da Cadeia Pública de Nova Cruz, na região Agreste estado, pulou o muro da unidade usando uma ‘teresa’ (espécie de corda feita com lençóis emendados). A direção do identificou o detento como Ricardo Tomaz de Oliveira, o ‘Rico’, de 23 anos. Segundo a PM, testemunhas disseram que o detento fugiu pelado.

326 fugitivos
Com as fugas desta segunda, chegou a 326 o número de presos que conseguiram escapar do sistema penitenciário potiguar somente este ano. Em 2015, fugiram 212. Alguns foram recapturados, mas nem a Secretaria de Justiça (Sejuc) nem a Secretaria de Segurança Pública (Sesed) conseguem precisar quantos foram encontrados e levados de volta aos presídios.

Fugas de 2016

– Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta: 102 fugitivos em 12 fugas (19 e 21 de janeiro, 21 e 24 de fevereiro, 10 e 13 de março, 10, 16, 18 e 23 de abril, 2 de maio e 8 de junho);

– Cadeia Pública de Natal, em Natal: 46 fugitivos em 1 fuga (12 de janeiro);

– Centro de Detenção Provisória da Ribeira, em Natal: 46 fugitivos em 5 fugas (12 de fevereiro, 7 de março, 25 de abril , 9 de maio e 31 de julho);

Penitenciária Desembargador Francisco Pereira da Nóbrega, o ‘Pereirão’, em Caicó: 46 fugitivos em 2 fugas (14 de julho e 22 de agosto);

– Penitenciária Agrícola Dr. Mário Negócio, em Mossoró: 24 fugitivos em 6 fugas (1º, 22, 29 e 30 de janeiro, 8 de março e 22 de abril);

– Cadeia Pública de Caraúbas, em Caraúbas:12 fugitivos em 2 fugas (5 de março e 6 de junho);

– Complexo Penal Dr. João Chaves, em Natal: 9 fugitivos em 1 fuga (5 de junho);

– Centro de Detenção Provisória de Parnamirim, em Parnamirim: 8 fugitivos em 2 fugas (25 de março e 7 de junho);

– Presídio Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta: 7 fugitivos em 1 fuga (27 de março);

– Cadeia Pública de Mossoró, em Mossoró: 6 fugitivos em 2 fugas (1º de março e 11 de abril);

– Cadeia Pública de Mossoró, em Mossoró: 4 fugitivos em 1 fuga (19 de julho);

– Centro de Detenção Provisória de Macau, em Macau: 4 fugitivos em 1 fuga (14 de janeiro);

– Centro de Detenção Provisória de Patu, em Patu: 4 fugitivos em 1 fuga (4 de abril);

– Centro de Detenção Provisória do Potengi, em Natal: 3 fugitivos em 2 fuga (17 de janeiro, 18 de maio);

– Centro de Detenção Provisória de Ceará-Mirim, em Ceará-Mirim: 2 fugitivos em 1 fuga (24 de janeiro);

– Centro de Detenção Provisória de Jucurutu, em Jucurutu: 2 fugitivos em 1 fuga (8 de agosto);

– Centro de Detenção Provisória de Candelária, em Natal: 1 fugitivo em 1 fuga (24 de junho);

– Cadeia Pública de Nova Cruz, em Nova Cruz : 1 fugitivo em 1 fuga (22 de agosto)

Total: 326 fugitivos

Sistema em calamidade
O sistema penitenciário potiguar não passa por um bom momento. E faz tempo. Em março de 2015, após uma série de rebeliões em várias unidades prisionais, o governo decretou estado de calamidade pública e pediu ajuda à Força Nacional. Para a recuperação de 14 presídios, todos depredados durante os motins, foram gastos mais de R$ 7 milhões. Tudo em vão. As melhorias feitas foram novamente destruídas. Atualmente, em várias unidades, as celas não possuem grades e os presos circulam livremente dentro dos pavilhões.