Desconfinados: Franceses vivem primeiro dia de liberdade da quarentena

Corredor livre pratica com a Torre Eiffel ao fundo, no primeiro dia de relaxamento das medidas de bloqueio na França Foto: PHILIPPE LOPEZ / AFP/11-05-2020
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PARIS — Após 55 dias trancados em casa, os franceses recomeçaram a retornar às ruas nesta segunda-feira, em meio a incertezas e estranhezas, e em uma vida bem diferente daquela que existia antes do surgimento da pandemia. “Desconfinados, mas não liberados”, em um novo regime de “semiliberdade”, eram definições de sentimentos que surgiram neste primeiro dia de desconfinamento no país.

O uso de máscaras se tornou obrigatório nos transportes públicos — incluídos trens, metrôs e ônibus — sob pena de multa de € 135 (R$ 844) a quem não obedecer. Os trens recomeçaram a circular com uma oferta inicial de 50% do tráfego normal, índice que sobe para 75% no metrô parisiense, que opera com 60 estações fechadas do total de 302.

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Para Anne Sophie C., que reabriu hoje sua loja de óculos, situada na Rua de Rennes, no centro de Paris, o maior temor do desconfinamento é o transporte público.

— Hoje, vim de carro. Mas não poderei vir sempre porque sai caro. O que mais me angustia não é a retomada do trabalho nem o contato com os clientes, mas o transporte. O governo pode muito bem dizer que que será o mais seguro possível, mas isso é impossível. Muitas pessoas não vão respeitar as regras de distanciamento. Hoje, ainda há muita gente em teletrabalho, mas em uma ou duas semanas isso vai diminuir.

O Globo