Crise política e zika geram preocupação internacional com Olimpíada

zika dilma

Terra – Em meio a turbulência política, crise econômica, epidemia de zika e acusações de corrupção que nos últimos dias chegaram às obras olímpicas, especialistas internacionais apontam um “coquetel preocupante” de fatores que, segundo eles, já atingem os Jogos do Rio 2016 e seguirão cada vez mais sob os holofotes internacionais nos próximos quatro meses.

Enquanto a realização da Olimpíada em si pode não estar em risco, especialistas consultados pela BBC Brasil acreditam que a profusão de notícias negativas vindas do país e os problemas que cercam a reta final rumo aos Jogos já causam fortes impactos.

Entre eles estão acusações de corrupção nas obras da linha 4 do metrô e do Porto Maravilha, “menina dos olhos” do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, a incerteza sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff e as graves dificuldades financeiras do país.

A epidemia do vírus zika – que já gerou alertas da Organização Mundial da Saúde (OMS), e alguns países orientam mulheres grávidas que evitem viajar ao Brasil – tem no Rio de Janeiro um dos Estados com o maior índice de casos e de maior preocupação para as autoridades brasileiras.

Na visão dos especialistas também causa preocupação o fato de que a Olimpíada estaria completamente “esvaziada”, fora do radar da mídia e do público. Às vésperas dos Jogos, o clima tanto no país quanto na cidade-sede do maior evento mundial é muito diferente da atmosfera de expectativa e celebração aguardada por organizadores, patrocinadores e o Comitê Olímpico Internacional (COI).

Para eles, a imagem do Brasil e do Rio já começa a ser danificada, e o impacto geopolítico e diplomático de sediar uma Olimpíada pode estar em risco, tendo em vista que a intenção é sempre mostrar o “melhor lado” dos organizadores para o mundo, e há cada vez mais indícios de que os Jogos revelem o “pior lado” dos anfitriões.

Crises, corrupção e imagem internacional

Para Jules Boykoff, professor da Pacific University, nos Estados Unidos, e autor de três livros sobre aspectos políticos e econômicos das Olimpíadas, o cenário atual é uma “tempestade perfeita”, que pode inclusive gerar manifestações.

“A imagem que o mundo tem do Brasil e do Rio neste momento é certamente desanimadora. Com crise política, finanças quebradas e uma epidemia que levantou alertas internacionais, a Olimpíada chega no pior momento possível, em meio a uma ‘tempestade perfeita’ que pode levar a grandes protestos, como vimos em 2014. Para a imagem dos anfitriões pode ser um grande tiro no pé”, diz.