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Como descobrir tudo que o Google sabe de você – e como apagar seu rastro

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Como o ‘Grande Irmão’ do livro ‘1984’, de George Orwell, o Google tem acesso a um mundo de informações

Do BBC:

“Quando usa os serviços do Google, você confia a nós sua informação”, deixam logo claro os termos e condições de privacidade do principal site de buscas do mundo.

Pode ser que isso não te surpreenda, pois sabemos que o serviço coleta informações sobre seus usuários.

Mas estamos falando de exatamente quanta e qual tipo de informação?

Seu nome, seu endereço, sua idade, seu endereço de e-mail. Seu modelo de telefone, sua operadora de telefonia celular, seu plano e consumo telefônico e de internet.

As palavras que usa com mais frequência em seus e-mails. Todos os e-mails que tenha escrito ou recebido, incluindo spam. Os nomes de seus contatos, seus endereços e telefones.

As fotos que faz com seu telefone Android, ainda que tenha apagado tudo e nunca publicado em redes sociais. Os sites em que navega, dentro e fora do país; a data da visita e o caminho que levou para chegar. A rapidez com que chegou. O cartão de crédito ou débito que usa para pagar.

O Google sabe muito sobre você, certo? E de quem é a culpa? Sua, claro

Lee Munson, especialista em segurança

Todos os sites da internet que visitou por meio do Google, a frequência e o que viu dentro de cada um. Em qual idioma procura. A hora em que navega. Com quem conversou via Hangouts. Quais vídeos te agradam e quais músicasescuta.

Essas e outras categorias aparecem no documento de política de privacidade do Google (aqui o link, em inglês), que soma 2.874 palavras.

“O Google sabe muito sobre você, certo? E de quem é a culpa? Sua, claro”, diz Lee Munson, investigador em segurança da Comparitech.com.

“As pessoas confiam demais e compartilham sem pensar muitas informações sobre si, quando a recompensa é uma conta gratuita de e-mail, alguns gigas de armazenamento e a possibilidade de pertencer a um mundo virtual com seus amigos e conhecidos.”

Tudo é feito de forma legal, assim que você marca concorda com os termos e condições da empresa.

Confira como você pode encontrar seus dados.

‘Minha conta’

Desde junho de 2015, o Google reúne toda a informação que coleta sobre seus usuários em um lugar chamado “minha conta” ou “my account”, em inglês.

Você tem uma conta do Google se já fez um e-mail Gmail ou até se já iniciou uma sessão em telefone ou tablet Android, se trabalhou em arquivos no Google Docs ou está registrado no YouTube.

Se você nunca fez nada disso, parabéns. Google ainda terá suas informações, mas não poderá associá-las a seu nome. Aqui você pode comprovar se é uma dessas pessoas.

Segundo dados citados pela publicação Business Insider em janeiro deste ano, estima-se que haja 2,2 bilhões de usuários ativos no Google. Ou seja: é bem provável que seu nome esteja na lista.

Comecemos com sua conta no Gmail. O círculo no canto superior esquerdo com sua inicial é o ponto de partida.

Passo 1

Você chegará a uma página como a reproduzida acima.

Algumas categorias interessantes em termos de dados coletados são “aplicativos e sites conectados”, “suas informações pessoais”, “configurações de anúncios”, “idiomas e ferramentas de entrada”.

“Verificação de segurança” e “check-up de privacidade” são duas janelas que permitem ajustar e restringir informação diretamente.

Mas vamos seguir com a opção marcada pela seta: a janela “Minha atividade”.

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“Minha atividade” abre, de novo, várias opções.

A tela exibida abaixo é a geral (que aqui aparece em inglês, mesmo com a conta configurada para português como idioma principal). Inclui atividade diária no YouTube, busca, notificações, notícias e ajuda, item por item.

Mas é possível filtrar o material por data e produto específico, clicando na seta vermelha mais ao alto.

Há ainda a opção de apagar seu histórico, indicada pela seta mais abaixo na tela.

Mas antes de confirmar a ação, aparecerá uma mensagem do Google que diz que “sua atividade pode fazer com o Google seja mais útil, com melhores opções de transporte pelos mapas e melhores resultados de busca”.

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No canto superior esquerdo, o ícone de menu (três listas horizontais) abre outro mundo de dados.

Use a opção “outra atividade no Google” para acessar o que o Google guarda sobre suas viagens, telefone e muito mais.

Dentro de

Tudo o que já fez pelo Google Maps deverá estar registrado. Para checar todos os dados nessa categoria, volte a “minha atividade” e filtre os resultados pelas categorias “maps” e “maps timeline”.

O Google dá a opção de informar o endereço de casa e do trabalho.

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Outra categoria reveladora são os anúncios. Para chegar lá, volte ao primeiro passo, “minha conta”.

Clique em “configurações de anúncios”. Uma vez lá, selecione a opção “gerenciar as configurações de anúncios” e descubra o que o Google imagina que te interesse (a partir do que procura com mais frequência).

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Você também pode solicitar ao Google uma cópia de toda a informação que a empresa guarda sobre você.

Para isso, volte a “minha conta” (canto superior direito, no círculo com sua inicial).

Logo abaixo de “configuração de anúncios” está “controlar seu conteúdo”. Escolha essa opção e encontrará uma tela como esta:

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“Criar arquivo” levará a uma janela com a opção de decidir quais dados de serviços.

O Google adverte que compilar os dados pode levar dias. No caso da repórter, em cerca de duas horas três arquivos chegaram ao Gmail.

Baixar os arquivos levou mais duas horas. E abrir alguns deles foi um pouco complicado: alguns vêm em formatos que não são comuns, como .json o .mbox.

Meu arquivo

Os arquivos continham todas as mensagens de e-mail da repórter – foi possível abri-las após encontrar uma programa que lia arquivos com extensão .mbox.

Não é possível acessar uma lista de “palavras mais usadas” nas mensagens – o Google diz que o processo de monitoramento das mensagens é “totalmente automatizado”.

Arquivo de mensagens
Image captionO arquivo com as mensagens pessoais recuperadas

E o Google ainda tinha as fotos. Todas que a repórter havia feito com seu telefone nos últimos dois anos. Deletadas our não, compartilhadas ou não.

Como isso é possível?

A resposta é simples: tudo tem um preço.

Você não paga seu e-mail nem seu serviço de vídeos em dinheiro vivo, mas em dados.

Como diz o especialista em segurança Lee Munson, “a informação é a nova moeda de troca”.

“É uma mina de ouro. Para o Google, representa bilhões de dólares”, concorda Jonathan Sander, vice-presidente da Lieberman Software.

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Image captionOs dados são fonte de renda para o Google

Desde que diga que concorda com termos e condições que quase sempre não lê, você está entregando suas informações.

Mas há quem discorde dessas condições.

“A legalidade e a interpretação da lei dependem das regras e normais locais”, afirma Mark James, especialista em segurança da ESET.

“O Google e a Europa já se enfrentaram por temas como privacidade, monopólio, direito a ser esquecido, coleta de dados. A empresa foi multada em alguns casos, mais geralmente se considera que opera dentro do marco legal.”

O que fazer?

Estamos à mercê desse gigante da tecnologia então?

Especialistas concordam que há muito pouco a ser feito nesse sentido.

“É preciso um esforço consciente e organizado para evitar ser seguido (em sua navegação na internet). Por exemplo, não usar o Google e executar atividades diferentes em máquinas distintas, ou com contas diferentes”, afirma James.

“Considere a possibilidade de apagar a localização, de usar contas de e-mail que na verdade não usa para entrar em sites de compras, usar datas de nascimento ligeiramente incorretas desde que seja legalmente possível e nunca, nunca, nunca diga ao Facebook, Twitter ou outra rede social o que comeu no café da manhã, e muito menos detalhes pessoais e principais fatos de sua vida”, aconselha Munson.

Criminosos usam explosivos e ônibus para roubar cofre no RN

Sequência de imagens mostra momento em que bandidos usam dinamite para explodir cofre do posto de gasolina (Foto: Reprodução/ Inter TV Cabugi)
Sequência de imagens mostra momento em que bandidos usam dinamite para explodir cofre do posto de gasolina (Foto: Reprodução/ Inter TV Cabugi)

G1 – Imagens das câmeras de segurança de um posto de gasolina da Grande Natal captaram a ação de uma quadrilha de criminosos na madrugada da última segunda-feira (18). Armados, os criminosos usam explosivos e até mesmo um ônibus para tentar derrubar a parede do escritório onde o cofre do posto estava guardado. O video foi divulgado pelos proprietários do posto apenas nesta quarta-feira (20) com exclusividade para a Intet TV Cabugi.

Nas imagens, é possível ver o momento em que os criminosos chegam em um carro preto e rendem os funcionários do posto. Com armas longas, os criminosos disparam para intimidar os funcionários.

De acordo com testemunhas, pelo menos dez criminosos participaram da ação. Outro carro estaria dando apoio aos homens que aparecem nas imagens, mas não foi captado pelas câmeras.

Após render funcionários e clientes, os criminosos usam explosivos para derrubar uma parede do escritório do posto de gasolina. De acordo com funcionários, no local ficava o cofre do posto. As câmeras captaram o momento da explosão. Na sequência, os homens voltam ao local, mas percebem que não conseguiram o objetivo.

É neste momento que um dos clientes do posto, um motorista de ônibus é rendido e obrigado a bater com o ônibus na parede. Ameaçado com uma arma na cabeça, o homem é obrigado a obedecer os bandidos. Ele bate três vezes contra a parede, até que os homens o mandam parar.
Quadrilha também usou ônibus para derrubar parede do escritório do posto de gasolina (Foto: Reprodução/ Inter TV Cabugi)
Quadrilha também usou ônibus para derrubar parede do escritório do posto de gasolina (Foto: Reprodução/ Inter TV Cabugi)

Os bandidos ainda tentam abrir o cofre. Sem sucesso, eles entram no carro em que chegaram e fogem do local. De acordo com os donos do posto, os criminosos fugiram apenas com R$ 800 que estavam no caixa. O crime vai ser investigado pela Polícia Civil investiga o caso Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deicor) da Polícia Civil.

Veja o vídeo no G1

Justiça condena empresário que quebrou braço de advogada em Natal

Câmeras de segurança flagraram o momento da agressão que aconteceu em uma boate na zona Sul de Natal em 2011 (Foto: Reprodução/ YouTube)
Câmeras de segurança flagraram o momento da agressão que aconteceu em uma boate na zona Sul de Natal em 2011 (Foto: Reprodução/ YouTube)

G1 – A Justiça potiguar condenou nesta quarta-feira (20) o empresário Rômulo Lemos, acusado de agredir e quebrar o braço da advogada Rhanna Diógenes em uma boate na Zona Sul de Natal em 2011. Lemos foi condenado a três anos de reclusão por lesão corporal. Réu e Ministério Público ainda podem recorrer da decisão.

O caso ganhou repercussão nacional. De acordo com a estudante, a agressão aconteceu após ela se recusar a beijar o empresário. Na época, Rhanna tinha 19 anos e era estudante de Direito.

Na sentença, o juiz Alceu Cicco, da 2ª Vara Criminal da Zona Sul de Natal, destaca que o crime cometido pelo réu foi fruto do machismo, pois a conduta de Rômulo representa “uma afronta direta aos valores constitucionais relativos à igualdade de gêneros, porquanto referido posicionamento estaria imbuído de uma visão machista e patriarcal de que a mulher é obrigada a aceitar todo e qualquer assédio, conferindo, ainda, ao homem o direito de agredi-la quando rechaçado”, destaca a decisão.

Rhanna Diógenes, 19 anos, passou por cirurgia para colocação de placa e pinos no antebraço direito (Foto: Arquivo pessoal)
Rhanna ficou com cicatrizes

Também na época do fato, o empresário se defendeu dizendo que o braço da estudante teria quebrado no chão. “Ela jogou a bebida na minha cara, segurando a minha gola. Em seguida eu achei que ela iria jogar o copo em mim. Numa ação instintiva, automaticamente eu retirei o braço dela. Ela provavelmente deve ter ido a escorregar pelo fato da bebida ter caído no chão, obviamente. Deve ter quebrado o braço no chão”, contou Rômulo ao G1 em outubro de 2011.

No entanto, o juiz descartou qualquer possibilidade de Rhanna ter caído, se desequilibrado ou ter escorregado na sentença. “Na verdade, ela foi puxada pelo braço em direção ao solo, caindo somente após receber o golpe que fraturou os ossos de seu antebraço, concluindo-se, assim, que as lesões por ela sofridas foram causadas pela ação direta do acusado, sendo com ela compatíveis”, diz o documento.

Veja o vídeo!

Sobrinho de Lula é morto a tiros após discussão em bar

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O filho de um irmão do ex-presidente Lula foi morto a tiros após uma discussão em um bar em Guarujá, no litoral de São Paulo. De acordo com a polícia, o crime aconteceu no último domingo (17), mas só foi divulgado pela Polícia Civil na noite desta terça-feira (19), já que os investigadores ainda trabalhavam para solucionar o caso.

Conforme informações do G1, a vítima identificada como Marcelo Rúbio Lima Gomes, de 36 anos, estava próximo de um salão de beleza, acompanhado de amigos em um bar, quando começou a discutir com Marcelo Machione Mendes Faria, conhecido como “Marcelinho”. A polícia ainda investiga o motivo da discussão.

Durante a discussão, “Marcelinho” teria atirado contra a vítima, que foi baleada três vezes. A vítima chegou a ser encaminhada ao Pronto Socorro de Vicente de Carvalho, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Convenções partidárias têm início nesta quarta-feira no país

calendario-iconeAs convenções partidárias que irão definir os candidatos a vereador e a prefeito dos 5.570 municípios do país têm início nesta quarta-feira (20). Elas devem ocorrer até o dia 5 de agosto. Vários partidos em cidades espalhadas pelo Brasil marcaram sua convenção já para este primeiro dia do prazo.

Durante o período, os partidos se reúnem para decidir também as coligações a serem formadas para o pleito deste ano.

A partir desta quarta, os partidos e candidatos já poderão formalizar contratos que gerem despesas e gastos com a instalação física e virtual de seus comitês de campanha.

Os gastos, no entanto, só serão efetivados após a Justiça Eleitoral receber o CNPJ, a conta bancária específica para a movimentação financeira de campanha e os recibos eleitorais.

Os candidatos poderão gastar um valor limitado a cada município. O TSE divulga também nesta quarta-feira o teto para cada cidade do Brasil.

Processos eleitorais
A Lei das Eleições também determina que a partir desta quarta os processos eleitorais tenham prioridade de tramitação e julgamento em relação aos demais. São exceção apenas os habeas corpus e mandados de segurança.

A lei estabelece que juízes e promotores, a partir dessa data, não podem deixar de cumprir os prazos definidos. O descumprimento constitui crime de responsabilidade e é objeto de anotação funcional para efeito de promoção na carreira.

Além das polícias judiciárias, os órgãos da Receita federal, estadual e municipal, os tribunais e órgãos de Contas auxiliarão a Justiça Eleitoral na apuração dos delitos eleitorais, com prioridade sobre suas atribuições regulares.

Sistema e enquetes
Também estará disponível nesta quarta o download, no site do TSE, do Sistema de Prestação de Contas Eleitorais (SPCE). A ferramenta deve ser utilizada por candidatos e partidos políticos para registrar a movimentação financeira da campanha e gerar a prestação de contas eleitoral.

Já as enquetes referentes ao processo eleitoral estão proibidas. Segundo a definição, enquete é a simples coleta de opiniões de eleitores sem nenhum controle de amostra e sem a utilização de método científico para sua realização. Esse tipo de consulta depende apenas da participação espontânea do interessado.

Já a pesquisa eleitoral, que está permitida e deve ser registrada, requer dados estatísticos realizados junto a uma parcela da população de eleitores, com o objetivo de comparar a preferência e a intenção de voto a respeito dos candidatos que disputam determinada eleição.

A divulgação de enquetes e sondagens em desacordo com as regras previstas na legislação eleitoral pode ser punida com o pagamento de multa, que varia de R$ 53 a R$ 106 mil.

Barragem de Oiticica fica R$ 104 milhões mais cara, diz governo do RN

Obras da barragem de Oiticica, no município de Jucurutu (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
Obras da barragem de Oiticica, no município de Jucurutu (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

G1 – A barragem de Oiticica, considerada solução definitiva para a escassez de chuvas na região Seridó potiguar, vai custar R$ 104 milhões a mais aos cofres públicos. O valor total da construção, que no ano passado já havia sido reajustado de R$ 292 milhões para R$ 311 milhões, foi novamente revisto e agora passou para R$ 415 milhões. A informação é da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh).

(O G1 publica nesta semana uma série de reportagens sobre a mais severa estiagem da história do semiárido potiguar e as consequências da chamada ‘seca verde’)

Ao G1, o secretário Mairton França disse que o prazo para a conclusão das obras também foi estendido. “As obras estão 40% concluídas. Estamos trabalhando com a expectativa de que tudo fique pronto e a barragem seja inaugurada em dezembro de 2017”, afirmou.

Ainda de acordo com Mairton, o custo da obra tem uma contrapartida do governo estadual. “R$ 25 milhões são recursos nossos, do Estado. Os outros R$ 390 milhões serão pagos pelo governo federal”, salientou.

A barragem de Oiticica fica no município de Jucurutu, a pouco mais de 260 quilômetros de Natal. Quando pronta, beneficiará direta e indiretamente cerca de 500 mil pessoas em 17 cidades. Com capacidade para mais de meio milhão de metros cúbicos de água, será o terceiro maior reservatório do estado.

Segundo a Semarh, obras da barragem de Oiticica estão 40% concluídas  (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
Segundo a Semarh, obras da barragem estão 40% concluídas (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

As obras de construção de Oiticica fazem parte do PAC – o Programa de Aceleração do Crescimento elaborado pelo governo federal. Foram iniciadas há mais de três anos e vêm se arrastando em meio a várias paralisações ocasionadas por problemas que envolvem a desapropriação de terras e o pagamento de indenizações a agricultores que possuem moradias nas áreas que serão inundadas quando as águas do rio Piranhas/Açu foram represadas. “Esse é um problema que estamos resolvendo. Mais de 90% das propriedades rurais já foram negociadas e pagas”, afirmou Mairton.

Obras da barragem de Oiticica, no município de Jucurutu, seguem atrasadas. Considerado solução para a seca na região Seridó potiguar, reservatório será o terceiro do estado em capacidade de armazenamento d’água (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
Considerado solução para a seca na região Seridó potiguar, reservatório será o terceiro do estado em capacidade de armazenamento d’água (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

UFRN divulga edital para reocupação de 440 vagas residuais

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G1 – A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) divulgou o edital de processo seletivo para reocupação de vagas residuais. São oferecidas 440 vagas nos cursos de graduação distribuídas entre os campi de Natal, Macaíba, Santa Cruz, Caicó e Currais Novos. As inscrições podem ser feitas de 8 a 29 de agosto, exclusivamente pela internet, no endereço www.comperve.ufrn.br.

Podem concorrer os candidatos com vínculo ativo em curso de graduação pertencente à instituição nacional de nível superior, portadores de diploma ou certificado de conclusão de graduação em curso reconhecido, além de ex-alunos de graduação da UFRN que tiveram o programa cancelado nos períodos 2012.1 a 2016.2.

As provas serão realizadas na data provável de 25 de setembro, e o resultado final do certame será divulgado na data provável de 16 de novembro de 2016. O edital e as demais informações sobre o processo seletivo estão disponíveis no site da Comperve.

Pichação em escola depredada incita morte de policiais no RN: ‘Nossa meta’

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Pichação incitando a morte de PMs foi encontrada dentro de escola depredada na Grande Natal (Foto: Reprodução/ Inter TV Cabugi)

Do G1 – ‘Matar os policia é a nossa meta’ (sic), ‘Aqui não é lugar de escola, aqui é lugar de ladrão’, ‘Vega vai morre’ (sic). Essas são algumas das pichações encontradas dentro da Escola Municipal Limírio Cardoso D’ávila, em Parnamirim, cidade da Grande Natal. Alvo de vândalos desde a quinta-feira passada (14), a escola já foi totalmente depredada e saqueada. Livros didáticos também foram destruídos, incendiados.

De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), a apuração dos fatos ocorridos na escola está sendo feita com “urgência e rigor”. Ainda de acordo com a Sesed, o Instituto Técnico Científico de Perícia (Itep) já realizou uma vistoria no local para listar os danos.

Segundo o delegado Júlio Lima, responsável pelas investigações, imagens filmadas dentro da escola durante as depredações ajudaram a polícia a identificar os suspeitos pelos crimes. Dez pessoas já foram ouvidas e outras dez serão indiciadas. Um suspeito foi detido.

“São crimes de dano qualificado contra o patrimônio público, que vai até 3 anos, de furto qualificado, que vai até 8 anos, e até mesmo de incêndio, que vai até 6 anos se for na modalidade mais básica. Então são crimes gravíssimos”, disse o delegado.

Ainda nesta terça (19), parte do material furtado foi recuperado em 10 casas e terrenos na cidade. Ainda de acordo com a Sesed, grades, telhas, coberturas de pvc, portões, tubulações, um vaso sanitário, cadeiras e material de expediente foram recuperados e levados até um depósito da Prefeitura de Parnamirim.

A Secretaria de Segurança ainda orienta que as pessoas que tenham participado do ato e levado materiais da escola que devolvam os produtos a fim de evitar mais complicações com a Justiça.

Polícia investiga negligência de PMs

Por meio de nota, a Sesed também informou que o Comando da Polícia Militar determinou a intensificação do policiamento na área e abriu uma sindicância para apurar possíveis atos de negligência por parte de suas equipes.

Na manhã desta segunda-feira (18), um vídeo divulgado pelo jornal Tribuna do Norte mostra o momento em que um garoto deixa a escola com um carrinho carregado com telhas de PVC.O garoto passa andando na frente de um PM, mas não é impedido de levar o material.

Professores protestam contra depredação
Ainda nesta terça, professores protestaram em frente à Prefeitura de Parnamirim. O movimento tinha como intenção denunciar as ameaças e a sensação de insegurança que, segundo profissionais, fazem parte da rotina das escolas do município.

“A gente quer resposta. Aquelas pessoas precisam ser punidas, precisam ressarcir aquilo que de lá elas tiraram porque aquilo é um bem público, é um bem nosso. A escola pública é muito cara. Nós pagamos impostos para que ela funcione”, disse a coordenadora Rosymary de Oliveira.

“Não é só a indignação, é o medo em que a gente vive nessa sociedade. Dentro das escolas não foge a regra e a gente precisa fazer algo para mudar”, declarou o professor Flávio Vieira.

Depredações em outras escolas

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Apesar do caso da escola Limírio Cardoso D’ávila ter sido o mais emblemático em razão da destruição, outras escolas do município também estão sendo alvos de atos de vandalismo.

Na segunda-feira (18), funcionários da Escola Municipal Maria Fernandes Saraiva, localizada a menos de 1 quilômetro da E.E. Limírio Cardoso, encontraram vidraças da porta da frente quebradas e lâmpadas arrancadas. Os vândalos também ligaram o hidrante da escola, esvaziando a caixa d’água. O horário de aulas teve que ser encerrado às 9h por falta de água para fazer a merenda dos alunos.

De acordo com a direção da escola, pelo menos cinco ataques já foram registrados neste ano. Em um deles, seis salas de aula foram completamente destruídas. Segundo um funcionário que preferiu não se identificar, a situação é mais crítica aos finais de semana.

WhatsAap voltou! Vamos ver até quando

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O aplicativo mais usado no Brasil voltou. O que não se sabe é se terá confiança do usuário continuar dependendo apenas do WhatsAap para fazer seus negócios. O dono do Facebook, que comanda também Whats, deverá tomar uma providência que venha dar condições ao povo e a justiça brasileira. Os bandidos se beneficiam dos serviços para não serem rastreados e pegos.

Justiça nega novo recurso da defesa de Fernando Freire

Fernando Freire, ex-governador do RN, está preso desde julho de 2015 (Foto: Marcelo Barroso/Tribuna do Norte)
Fernando Freire, ex-governador do RN, está preso desde julho de 2015 (Foto: Marcelo Barroso/Tribuna do Norte)

G1 – A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte negou mais um recurso da defesa do ex-governador Fernando Freire, preso desde julho de 2015 por envolvimento no esquema que ficou conhecido como a ‘Máfia dos Gafanhotos’. De acordo com o TJ, este é o quinto pedido negado a defesa de Freire apenas neste ano, a nona ao todo. O pedido foi negado nesta terça-feira (19).

A defesa do ex-governador pediu a nulidade do processo por suposto cerceamento da defesa e devido a ausência de nomeação de advogado em uma audiência na qual o réu foi interrogado.

No entanto, a desembargadora Maria Zeneide Bezerra, relatora da apelação, rejeitou as alegações. A relatora considerou o entendimento do Supremo Tribunal Federal, por meio do qual a pena já pode ser executada, quando existir a condenação em segunda instância.

Recentemente, o Tribunal determinou aampliação da pena de Freire de 6 anos e seis meses para 7 anos, nove meses e dez dias de prisão.

O caso
O ex-governador e os demais envolvidos foram condenados por crimes de peculato, em continuidade delitiva (17 vezes), quando, no ano de 2002, realizou o desvio de dinheiro público para a concessão fraudulenta de gratificações por meio do pagamento de cheques salário. O MP moveu recurso, ao defender ampliação das reprimendas.

No caso investigado, Aristides Siqueira atuava como indicador dos beneficiários e Fernando Siqueira incluiu o nome da ex-esposa como uma das beneficiárias. À época, explicou ao filho que a inclusão foi para facilitar o pagamento de pensão alimentícia. No entanto, a ex-cônjuge afirmou, em juízo, que desconhecia tal benefício.

Dentre os argumentos utilizados pela defesa das partes estão as alegações, por exemplo, de que o advogado não teria sido intimado, tanto no arrolamento de uma testemunha, quanto sobre a chamada ‘deprecação’ de juízo, que ocorre quando o juiz da outra comarca, recebe carta precatória do juiz deprecante para cumprimento dos atos processuais.

No entanto, para a relatora da apelação, nem a testemunha nem os depoimentos no juízo deprecado colaboraram negativamente ou causaram prejuízo às partes. “A testemunha, por exemplo, pedia dispensa do ato por afirmar não ter informações sobre o ocorrido”, destacou a desembargadora.

WhatsAap voltará por ordem do presidente do STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, decidiu na tarde desta terça-feira (19) derrubar a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que manteve o aplicativo bloqueado desde as 14h.

Na decisão, de caráter liminar (provisório), Lewandowski analisou ação impetrada pelo PPS(Partido Popular Socialista), que recorreu ao Supremo para que fosse suspensa imediatamente a ordem judicial da  2ª Vara Criminal da Comarca de Duque de Caxias, do Rio de Janeiro.

A decisão foi tomada por Lewandowski porque ele é o ministro de plantão no recesso do Judiciário. O relator da 540x350_foto_02052016120704ação do PPS é o ministro Luiz Edson Fachin. Após o recesso, Fachin poderá reavaliar o caso ou levar a ação para decisão do plenário do Supremo.

Agora, o Supremo vai notificar a Justiça do Rio de Janeiro sobre o restabelecimento do serviço. Não há previsão de quanto levará para o aplicativo voltar a funcionar. Mas, por volta das 17h50, usuários de São Paulo já relatavam que o serviço tinha voltado a operar.

Osb. do blog: se o presidente do STF mandou a mensagem via WhatsAap, via mensagem eletrônica, acreditamos que amanhã é possível usar o aplicativo… (Rsrs)

Fundo do Poço: Vigilante foi morto por delatar alunos de escola depredada no RN, diz MP

S.O.S Governadooooooooor!

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G1- Depredada e saqueada por vândalos desde a quinta-feira (14), a escola Límirio Cardoso, em Parnamirim, foi alvo de um inquérito civil do Ministério Público do Rio Grande do Norte em junho deste ano. De acordo com a ata da audiência, situações graves foram observados dentro da escola e até mesmo o assassinato de um porteiro da escola estaria ligado a delitos cometidos por alunos dentro do ambiente escolar.

De acordo com a ata da audiência, o inquérito foi instaurado para tratar da ‘grave situação’ da escola Limírio Cardoso. Dentre os motivos apontados pelo MP está a morte de um porteiro da escola, assassinado em janeiro deste ano com seis tiros.

Segundo o que consta na ata, o homicídio está “ligado ao fato de (o porteiro) ter delatado alunos da escola pela prática de roubo”. Além do assassinato do porteiro, o carro de um coordenador da escola também teria sido depredado por alunos em maio deste ano.

Da audiência, uma série de 10 medidas emergenciais foi acordada entre o MP e as autoridades da educação. Uma audiência de continuação foi marcada para o dia 28 deste mês, no entanto, a escola foi completamente destruída e incendiada antes da data.

Depredação, saques e incêndio
A escola Limírio Cardoso é alvo de depredações desde a última quinta-feira (14), quando vândalos começaram a depredar a escola. Toda a estrutura física da escola foi danificada até o sábado, quando parte da escola foi incendiada. Livros foram usados para fazer o fogo.

Além da destruição e do incêndio, parte da população aproveitou para roubar a escola. Carteiras, mesas, computadores, armários, pedras de mármore, fios de cobre, forro de PVC, telhas e até o portão da escola foram roubados.

Ezequiel Ferreira prestigia posse de Cassiano Arruda como imortal da Academia de Letras

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O jornalista e escritor, Cassiano Arruda Câmara, tomou posse na noite desta segunda-feira (18), como novo integrante da Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL), ao assumir a vaga que pertencia ao amigo, ex-deputado estadual e jornalista Agnelo Alves (1932 – 2015). A cerimônia, presidida pelo advogado e poeta Diógenes da Cunha Lima, foi concorrida e prestigiada por amigos, familiares, jornalistas, intelectuais e figuras da cena política do Estado.

“Cassiano alcança a imortalidade com todo direito e justiça. Jornalista, publicitário, professor e escritor, Cassiano Arruda é um dos mais influentes em sua profissão. Foi desejo do destino que lhe coubesse substituir o também brilhante jornalista e deputado estadual, Agnelo Alves. Como sempre fez e faz, Cassiano Arruda dará orgulho aos seus pares na Academia Norte-rio-grandense de Letras”, disse Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB), deputado e presidente da Assembleia Legislativa.

Além do presidente da Assembleia Legislativa, participaram do evento o desembargador, Cláudio Santos do TJRN, o prefeito de Natal, Carlos Eduardo, ministro do STJ, Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, deputado federal, Felipe Maia (DEM), reitora da UFRN, Ângela Cruz, Claudia Santa Rosa, secretária estadual de Educação e o ex-ministro Henrique Alves, entre outras autoridades.

Cassiano não para um instante de produzir.  Aos 72 anos, todos os dias redige a coluna Roda Viva, participa do telejornal da TV Tropical e tece comentários sobre temas cotidianos na Rádio CBN. E agora o jornalista explicou que pretende lançar seu terceiro livro. Será uma coletânea de reportagens que marcaram época em Natal, produzida nos períodos em que trabalhou na Tribuna do Norte e no extinto Diário de Natal. A editora Flor de Sal, conduzida por Adriano de Souza e Flávia Assaf, está preparando a edição deste livro.

Cassiano Arruda Câmara tem dois livros publicados. O primeiro é “Um Repórter na Roda Viva: do Tipo Móvel ao Notebook” (Chegança, 2002) e “Hotel de Trânsito (Flor de Sal, 2009).

Crédito da Foto: Eduardo Maia

‘Seca verde’ marca quinto ano seguido de estiagem severa no RN

O Portal G1 fez uma matéria especial sobre a seca e usou uma música de Dedé de Badaró, cantada pela dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano. umas cenas capturadas pelas lentes dos repórteres fotográficos Anderson Barbosa e Fred Carvalho.

Matéria do G1

Na região Oeste potiguar, a ‘seca verde’ apresenta contrastes. De um lado, a robusta e exuberante vegetação da caatinga; do outro, a terra árida e cinzenta em meio ao leito seco dos rios  (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
Na região Oeste potiguar, a ‘seca verde’ apresenta contrastes. De um lado, a robusta e exuberante vegetação da caatinga; do outro, a terra árida e cinzenta em meio ao leito seco dos rios (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

Na música ‘Seca Verde’, de Dedé Badaró, os cantores Zezé de Camargo e Luciano definem bem o momento pelo qual passa o sertanejo potiguar: “Nessa seca verde mora um povo nobre, morrendo de sede nessa guerra pobre”. Comum no semiárido nordestino, a seca verde caracteriza-se pela exuberância da vegetação em meio a um longo período sem água. Hoje, o fenômeno é o retrato do quinto ano seguido da mais severa estiagem da história do Rio Grande do Norte.

(O G1 publica nesta semana uma série de reportagens sobre a mais severa estiagem da história do semiárido potiguar e as consequências da chamada ‘seca verde’)

Desde 2011 que o homem do campo sofre com a falta de boas precipitações no interior do estado. As chuvas que caíram no início do ano transformaram o cenário acinzentado em verde, mas o que veio do céu não foi suficiente para encher os reservatórios. Resultado: no final de junho, o Ministério da Integração Nacional reconheceu a situação de emergência decretada pelo governo estadual.

Atualmente, a seca afeta 153 dos 167 municípios potiguares. Destes, 14 estão em colapso (quando o companhia de água admite que não há como continuar a abastecer os moradores) e 77 desenvolveram sistemas de rodízio para o abastecimento da população (veja lista completa das cidades no fim desta reportagem).

Ao renovar a situação de emergência por mais 180 dias em março deste ano – a sexta vez seguida desde março de 2013 – o governo do estado ressaltou que a pecuária havia perdido mais de 135 mil cabeças de gado de 2012 a 2015, e que entre 2012 e 2014 houve uma redução de 65,79% na produção de grãos (milho, arroz, feijão e sorgo).

Lata d’água

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No município de Francisdo Dantas, o agricultor aposentado Francisco Fagundes, de 66 anos, busca água em poços públicos para os afazeres domésticos (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

Entre os dias 3 e 6 deste mês, o G1 foi a 11 cidades do interior potiguar para a ver de perto como o sertanejo, animais e também a vegetação do semiárido vêm resistindo à falta d’água. Em cinco municípios visitados – que atualmente enfrentam colapso no abastecimento – moradores fizeram da busca pelo precioso líquido uma rotina diária.

Aposentado, Jadismar Bento tem 68 anos e mora em Rafael Fernandes. Os efeitos da seca ele sente no bolso. “Todas as manhãs, bem cedo, vou pra rua pegar água no chafariz da prefeitura. Venho pra casa, me sento na calçada, e ligo a bomba para fazer a água subir até a caixa instalada no telhado. Demora mais de meia hora. Faço isso há um ano, que foi quando a água acabou aqui na cidade. Antes, eu pagava R$ 110 de energia, mas agora minha conta está dando mais de R$ 160”, disse.

Paulina Ferreira, de 88 anos, mora na comunidade de Mareta, na zona rural de Rafael Fernandes, no Oeste potiguar. A aposentada não vê a hora de a seca acabar. Para ela, esta é a pior estiagem já vista na região   (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
Paulina Ferreira, de 88 anos, mora na comunidade de Mareta, na zona rural de Rafael Fernandes, no Oeste potiguar. A aposentada não vê a hora de a seca acabar. Para ela, esta é a pior estiagem já vista na região (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

Na comunidade da Mareta, na zona rural do município, a situação é semelhante. Paulina Ferreira tem 88 anos. Também aposentada, ela disse que não precisa sair de casa para buscar água porque tem uma cisterna que é abastecida por caminhões-pipa. Mas, como a água que é trazida pelo Exército não serve para beber, ela precisa gastar com galões de água mineral. “A água que chegava pelas torneiras era boa e eu bebia dela. A que vem de caminhão só presta pra cozinhar, tomar banho e lavar roupa”, reclamou.

A idosa disse ainda que não vê a hora de a seca acabar. Para ela, esta é a pior estiagem já vista na região. “Um sofrimento sem fim. Sem água a gente perde a vontade de fazer as coisas. É muito triste”, ressaltou.

 Francisco Fagundes mostra a água amarelada que é servida no chafariz da cidade (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1) (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
Francisco Fagundes mostra a água amarelada que é servida no chafariz da cidade (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1) (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

Em Francisco Dantas, a agonia não é medida apenas pela distância que se percorre ou em quantas viagens é preciso dar para se conseguir água, mas também na qualidade dela. “A água que nós temos é de graça, mas é amarelada e fedorenta. Pra beber não dá. Serve só pra cuidar das coisas de casa”, afirmou o aposentado Francisco Fagundes. Com 66 anos, ele caminha quase 1 quilômetro para chegar até o chafariz público mais próximo de onde mora. “Esse mesmo caminho faço umas dez vezes por dia. É difícil, muito difícil”, acrescentou o agricultor.

A água amarelada que jorra dos chafarizes da cidade tem uma explicação: é barrenta por conta da lama que fica no fundo do poço escavado no leito do Açude da Tesoura. O reservatório secou faz três meses, levou a empresa que abastece a cidade a suspender a cobrança e deixou um prejuízo danado para o comerciante Aldizio Costa, dono do Balneário Pingo D’água. “O nome não poderia ser mais sugestivo neste momento. Afinal, não tem um pingo d’água mesmo”, lamentou.

Do alto do trapiche, antes usado para mergulhos, a visão que se tem agora é a do poço que a prefeitura abriu no fundo do Açude da Tesoura (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
Do alto do trapiche, antes usado para mergulhos, a visão que se tem agora é a do poço que a prefeitura abriu no fundo do Açude da Tesoura (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

Do alto do trapiche, antes usado para mergulhos, a visão que se tem agora é a do poço que a prefeitura abriu no fundo do açude. “A água começou a baixar tem quatro anos. No final de março e começo de abril, secou de vez. Os peixes morreram todos. O pescado que eu vendo aqui no balneário vem da Bahia. Nos finais de semana o povo ainda aparece para almoçar, tomar uma cervejinha e ouvir música, mas tá longe de ser como antes, quando isso aqui lotava de gente pra tomar banho no açude. Agora, só resta rezar para que chova logo”, destacou.

Fim da trilha
A falta de chuvas na região Oeste também castiga os que moram mais perto do céu. EmMartins, cidade serrana acostumada a receber visitantes de todos os cantos, a estiagem também trouxe transtornos e preocupação. Quem vive do turismo que o diga. “Nunca que nós pensávamos em sofrer com a seca desse jeito. Está prejudicando meu trabalho”, reclamou o guia turístico Alex Nogueira, de 21 anos.

Alex começou a fazer passeios pelas trilhas da serra de Martins ainda adolescente, quando havia água em abundância descendo pela montanha.

Era tanta água que fez surgir a Cachoeira da Umarizeira. Do alto da serra até a queda d’água, que tem uns três metros de altura, são quase 30 minutos de caminhada. Para chegar lá, é preciso passar por uma área de mata fechada.

A trilha é estreita e requer equilíbrio e bastante esforço físico. “A gente sua bastante no caminho, mas a recompensa é a melhor parte. A água gelada refresca até a alma”, recordou. Contudo, sem a chuva para alimentar os córregos e riachos da região, a queda d’água deixou de existir.

Apesar da falta de chuvas na região serrana de Martins, no Oeste potiguar, trilha que leva à Cachoeira da Umarizeira mantém a beleza natural da região (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
Trilha que leva à Cachoeira da Umarizeira, em Martins, passa por riachos e córregos agora completamente secos (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

“Sem água, quase ninguém se interessa pela cachoeira. Ainda faço passeios para outros lugares. Tem um roteiro histórico, que passa pelo museu da cidade, e tem a Casa de Pedra, um local que tem cavernas que ainda dá pra levar os visitantes. Mas, para a cachoeira, que era o passeio mais procurado, eu nem indico mais”, afirmou.

“Nos tempos bons, eu fazia até quatro trilhas para a cachoeira por dia. Cada passeio custava até R$ 150 por grupo. Agora, não faço nem dois por semana”, revelou Alex.

No Sítio Arrojado, zona rural de Frutuoso Gomes,  o agricultor Francisco Cosme da Silva, de 67 anos, luta diariamente para tentar tirar da terra o sustento da família. Com a seca prolongada, a plantação de milho mais uma vez foi perdida   (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
No Sítio Arrojado, zona rural de Frutuoso Gomes, o agricultor Francisco Cosme da Silva, de 67 anos, luta diariamente para tentar tirar da terra o sustento da família. Com a seca prolongada, a plantação de milho mais uma vez foi perdida (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

Comércio da seca
O olhar do agricultor Francisco Cosme da Silva, de 67 anos, deixa evidente a frustração com outra colheita perdida. As espigas de milho estão definhadas, ressecadas e com poucos grãos. Enquanto a chuva não chega, o sol castiga e leva embora a economia de meses. O que resta da aposentadoria, é pouco para continuar. Mas é preciso.

“Sou sertanejo. Não vou desistir. Tenho que seguir em frente”. As palavras, que demonstram a persistência do nordestino, são do ‘Velho Chico’, como o idoso é carinhosamente chamado no Sítio Arrojado. A pequena comunidade fica no município de Frutuoso Gomes, onde a estiagem também não perdoa.

Francisco disse que plantou também sementes de feijão, batata doce e jerimum. “No começo do ano eu me animei. Caiu uma água só da boa e eu corri logo pro roçado. Só que a chuva acabou cedo demais. O que caiu não deu pra nada e eu perdi toda a lavoura. Só está dando capim, que serve de comida para os animais. Mas, se não voltar a chover, vai secar também.”

Em Frutuoso Gomes, ma região Oeste potiguar, o autônomo Francisco de Assis Carlos, de 40 anos, tornou-se comerciante. Ele vende água em um caminhão adaptado para carregar até 2 mil litros.  (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
Francisco de Assis Carlos tornou-se comerciante. Ele vende água de porta em porta com um caminhão adaptado para carregar até 2 mil litros (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

Mas, também há quem lucre com a falta d’água, como o autônomo Francisco de Assis Carlos, de 40 anos, que mora na área urbana de Frutuoso Gomes. ‘Pau para toda obra’, ele passou a se dedicar exclusivamente ao mercado da seca.

Sobre a carroceria de um velho caminhão, ele adaptou dois reservatórios de mil litros cada e saiu pela cidade vendendo água de porta em porta. “É só ligar que eu vou. Trabalho de domingo a domingo se for preciso. E até agora tem dado certo. Compro os 2 mil litros a R$ 8 em um poço particular e vendo a R$ 40. Faço de seis a oito entregas por dia. Descontando o combustível, fico com R$ 700 livres por mês”, contou.

Água que sai das torneiras da cidade de Almino Afonso, na região Oeste potiguar, vem de poços escavados pelos próprios moradores, e é servida a quem quiser pagar por ela por meio de uma rede encanada independente ao sistema da Caern, companhia estadual re (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
Água que sai das torneiras da cidade de Almino Afonso vem de poços escavados pelos próprios moradores, e é servida a quem quiser pagar por ela por meio de uma rede encanada independente do sistema da Caern (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

Rede paralela
A água que abastece Almino Afonso vem do açude Lauro Maia, localizado no próprio município. Em dezembro do ano passado, já praticamente seco e com a água imprestável, não restou outra coisa para a Companhia de Águas e Esgotos do RN fazer senão suspender o fornecimento à população. E assim foi feito. Contudo, alguns moradores da cidade descobriram que existe bastante água no subsolo e estão se aproveitando disso. Lá, o negócio é vender água encanada. E tem gente se dando bem.

A água não é potável, mesmo assim ainda é melhor ter como lavar roupas, cozinhar e tomar banho do que não ter água nenhuma pra usar”
Comerciante de Almino Afonso,
que pediu para não ser identificado

Pelo menos 12 pessoas acharam água em suas terras e montaram verdadeiras redes de distribuição. O G1 conversou com algumas, e elas garantem que pelos menos 90% das casas e estabelecimentos da cidade aderiram a estas redes independentes.

“A água não é potável, mesmo assim ainda é melhor ter como lavar roupas, cozinhar e tomar banho do que não ter água nenhuma pra usar”, observou um dos proprietários dos poços. Com um copo de vidro, o comerciante fez questão de mostrar que a água é limpa. “Só não dá pra beber porque é um pouco salgada. Mas, querendo beber, pode beber”, emendou.

Com relação aos poços perfurados em cidades em colapso, a Caern informou que os mesmos não integram o sistema da empresa e que, quando a cidade está em colapso, é porque a companhia já esgotou as possibilidades de abastecimento. “Os poços mencionados devem ter baixa vazão, não sendo viável para o abastecimento e possivelmente apresentam água fora dos padrões”, destacou.

Quem não está preocupado se a água é fornecida de forma legal ou irregular é o servidor público estadual Fracinilson Nunes, de 52 anos. “Instalei o sistema para um desses poços faz quatro meses. É melhor do que ir pegar nos chafarizes da prefeitura. Os canos custaram R$ 120. Agora, é só pagar a mensalidade de R$ 50 e aproveitar a água que vem direto para as nossas torneiras”, celebrou.

Com a seca que assola o RN há cinco anos, animais mortos às margens das rodovias que cortam o estado fazem parte de um cenário desolador  (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)
A paisagem mudou do cinza para o verde, mas os animais mortos às margens das rodovias que cortam o estado ainda deixam o cenário desolador (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

Chuvas normais em 2017
O homem do campo pode ficar otimista para 2017? Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), órgão responsável pelas previsões climáticas no estado, a resposta é sim.

Meteorologista da Emparn, Gilmar Bistrot explicou que até o final de 2016 as chuvas continuarão abaixo do normal no litoral. “Em junho, por exemplo, o acumulado foi de 100 milímetros, muito pouco para o período. E isso se repetirá agora em julho, deixando o tempo bastante seco. Já para o interior, cuja seca já está confirmada mesmo, a esperança é mesmo para 2017. O tempo deve começar a melhor ainda em dezembro deste ano, tendo a situação das chuvas normalizada durante todo o ano que vem”, afirmou Bistrot.

O RN possui dois calendários pluviométricos bem distintos. Um deles envolve o litoral Leste, cujo período chuvoso começa em maio e se estende até meados de setembro. Toda a Grande Natalestá nesta área. Já para o semiárido, território que compreende até 97% dos municípios, o período chuvoso é mais curto. Começa ainda no final de dezembro, chega até o início de janeiro e logo é interrompido. Depois, as precipitações voltam no final de fevereiro e seguem até meados de março. É assim todos os anos.

“O problema é quando as chuvas ficam abaixo da média, o que vem acontecendo há cinco anos”, ressalta Mairton França, secretário estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos. “Desde que passamos a monitorar as chuvas, há 450 anos, o estado já enfrentou 116 períodos de longas estiagens. Não estamos vivendo a mais longa, mas certamente é a mais severa.”

Municípios em situação de emergência
Acari, Assu, Afonso Bezerra, Água Nova, Alexandria, Almino Afonso, Alto dos Rodrigues, Angicos, Antônio Martins, Apodi, Areia Branca, Baraúnas, Barcelona, Bento Fernandes, Bodó, Brejinho, Boa Saúde, Bom Jesus, Caiçara do Norte, Caiçara do Rio do Vento, Caicó, Campo Redondo, Caraúbas, Carnaúba dos Dantas, Carnaubais, Ceará-Mirim, Cerro-Corá, Coronel Ezequiel, Campo Grande, Coronel João Pessoa, Cruzeta, Currais Novos, Doutor Severiano, Encanto, Equador, Espírito Santo, Felipe Guerra, Fernando Pedroza, Florânia, Francisco Dantas, Frutuoso Gomes, Galinhos, Governador Dix-Sept Rosado, Grossos, Guamaré, Ielmo Marinho, Ipanguaçu, Ipueira, Itajá, Itaú, Jaçanã, Jandaíra, Janduís, Japi, Jardim de Angicos, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, João Câmara, João Dias, José da Penha, Jucurutu, Jundiá, Lagoa Nova, Lagoa Salgada, Lagoa D’Anta, Lagoa de Pedras, Lagoa de Velhos, Lajes, Lajes Pintadas, Lucrécia, Luís Gomes, Macaíba, Major Sales, Marcelino Vieira, Martins, Messias Targino, Montanhas, Monte das Gameleiras, Monte Alegre, Mossoró, Macau, Nova Cruz, Olho D’Água do Borges, Ouro Branco, Passagem, Paraná, Paraú, Parazinho, Parelhas, Passa e Fica, Patu, Pau dos Ferros, Pedra Grande, Pedra Preta, Pedro Avelino, Pedro Velho, Pendências, Pilões, Poço Branco, Portalegre, Porto do Mangue, Pureza, Serra Caiada, Rafael Fernandes, Rafael Godeiro, Riacho da Cruz, Riacho de Santana, Riachuelo, Rodolfo Fernandes, Ruy Barbosa, Santa Cruz, Santa Maria, Santana do Matos, Santana do Seridó, Santo Antônio, São Bento do Norte, São Bento do Trairi, São Fernando, São Francisco do Oeste, São João do Sabugi, São José de Mipibu, São José do Campestre, São José do Seridó, São Miguel do Gostoso, São Miguel, São Paulo do Potengi, São Pedro, São Rafael, São Tomé, São Vicente, Senador Elói de Souza, Serra Negra do Norte, Serra de São Bento, Serra do Mel, Serrinha dos Pintos, Serrinha, Severiano Melo, Sítio Novo, Taboleiro Grande, Taipu, Tangará, Tenente Ananias, Tenente Laurentino Cruz, Tibau, Timbaúba dos Batistas, Touros, Triunfo Potiguar, Umarizal, Upanema, Várzea, Venha-Ver, Vera Cruz e Viçosa.

Municípios em colapso
Almino Afonso, Antônio Martins, Francisco Dantas, Frutuoso Gomes, João Dias, Luiz Gomes, Marcelino Vieira, Martins, Paraná, Pilões, Rafael Fernandes, São Miguel, Serrinha dos Pintos e Tenente Ananias.

Municípios em rodízio
Já os municípios que enfrentam racionamento e estão em rodízio são: Acari, Afonso Bezerra, Água Nova, Alto do Rodrigues, Angicos, Assu, Barcelona, Bodó, Caiçara do Rio do Vento, Caicó, Campo grande, Carnaúba dos Dantas, Carnaubais, Cerro Corá, Coronel João Pessoa, Cruzeta, Currais Novos, Doutor Severiano, Encanto, Equador, Espírito Santo, Fernando Pedrosa, Florânia, Guamaré, Ielmo Marinho, Ipanguaçu, Ipueira, Itaú, Janduís, Jardim de Angicos, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, José da Penha, Jucurutu, Lagoa de Velhos, Lagoa Nova, Lajes, Lucrécia, Macau, Messias Targino, Olho D’água do Borges, Ouro Branco, Paraú, Parelhas, Passagem, Pedro Avelino, Pendências, Portalegre, Rafael Godeiro, Riacho da Cruz, Riacho de Santana, Riachuelo, Rodolfo Fernandes, Ruy Barbosa, Santa Maria, Santana do Matos, Santana do Seridó, São Fernando, São Francisco do Oeste, São João do Sabugi, São José do Seridó, São Paulo do Potengi, São Pedro, São Rafael, São Tomé, São Vicente, Severiano Melo, Taboleiro Grande, Tenente Laurentino, Timbaúba dos Batistas, Triunfo Potiguar, Umarizal, Venha-Ver e Viçosa.