A quem interessa deter a “pílula do câncer”?

Exame – USP lacra o laboratório da “pílula do câncer”
Pílula: o encerramento da produção teria sido determinado pelo reitor da universidade, Marco Antonio Zago
Pílula: o encerramento da produção teria sido determinado pelo reitor da universidade, Marco Antonio Zago

São Carlos – A Universidade de São Paulo (USP) lacrou o laboratório em São Carlos, interior paulista, que vinha produzindo a fosfoetanolamina sintética, a polêmica “pílula do câncer”.

A substância, que estava sendo fabricada no Instituto de Química, vinha sendo entregue a pacientes que obtiveram na Justiça liminar para seu uso.

Nesta semana, porém, advogados e pacientes que foram à USP encontraram o laboratório fechado.

Funcionários contaram que a universidade não tem mais como cumprir as decisões judiciais porque a substância parou de ser produzida e não há mais estoque.

O encerramento da produção teria sido determinado pelo reitor da universidade, Marco Antonio Zago.

A fosfoetanolamina não passou por testes clínicos, não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não é considerada um medicamento.

Em nota oficial, a USP informou que lacrou o laboratório porque a produção ficava a cargo de um único servidor técnico – um químico -, que foi cedido à Secretaria Estadual de Saúde, a pedido, para auxiliar na produção da substância para testes de uso terapêutico.

A nota informa também que a patente da substância pertence a um professor aposentado da USP e a outras pessoas, de modo que a universidade não pode produzir a substância, sob pena de responsabilização penal.

“Por fim, ressaltamos que a USP não é uma indústria química ou farmacêutica e não tem condições de produzir essa substância em larga escala.”

O professor aposentado Gilberto Chierice, químico que desenvolveu a fórmula usada na pílula, foi denunciado à polícia pela Procuradoria-Geral da USP por curandeirismo e crime contra a saúde pública.

A reportagem procurou a USP NA , para detalhar o caso e a questão jurídica. A universidade optou por não falar sobre o caso.

De Rene Moreira, do Estadão Conteúdo